A médica Janicéia Lopes Simplício Lins de Lajes Pintadas, atualmente residente em Currais Novos concedeu uma entrevista à revista Seridó S/A, na qual fala sobre um pouco de sua profissão.
A Revista tem é uma publicação mensal e de distribuição gratuita cerca de 5 mil exemplares e versão online.
Confira a reportagem na integra:
Ao receber a reportagem da SERIDÓ
S/A para uma conversa sobre o exercício da sua profissão de psiquiatra,
Janicéia Lopes Simplício Lins, graduada na Universidade Federal do
Amazonas-UFAM- revelou ser a primeira médica na cidade onde nasceu, a pequena
Lajes Pintadas, região do Trairi, RN. A escolha, decidida quando ainda era uma
garota de apenas 12 anos, tem a ver com as histórias contadas pela avó materna
Nazaré e sua tia Rita, ambas parteiras “curiosas” do lugar durante anos. Ao
realizar o sonho de estudar Medicina e especializar-se em Psiquiatria, no
Hospital Raul Soares, em Belo Horizonte, MG, ela passou a fazer parte de uma
comunidade de profissionais que lidam com a prevenção, diagnóstico, tratamento
e reabilitação de portadores de transtornos mentais que vão da depressão à demência.
Apaixonada pelo seu trabalho, Janicéia vê a Arterapia e a humanização no tratamento
dos pacientes como formas de reinserção no convívio com suas famílias e a
sociedade.
Aliás, a preocupação da psiquiatra
com a situação dos pacientes no seio de suas famílias é constante. Para a Dra.
Janicéia Lopes Simplício Lins, Pós-Graduada em Terapia Cognitiva
Comportamental, especialidade que auxilia os pacientes a aprenderam habilidades
para resolveram problemas do seu dia-a-dia, os familiares são decisivos para a
melhora na qualidade de vida dos portadores de transtornos mentais. A médica
explica que as atitudes interferem no tratamento e que a família deve colaborar
com as orientações do terapeuta. Ela lembra ainda que o médico tem que conhecer
o histórico do paciente, dita por ele ou seus familiares numa consulta prévia
para fechar um diagnóstico e indicar o tratamento. Ao fazer essa observação,
Dra. Janicéia baseia-se no crescente número de pacientes que chegam ao consultório
em crise vindos de “consultas” realizadas por charlatões espirituais que iludem
a boa fé dos familiares, bem como a insistência para que prescreva medicamentos
benzodiazepnícos, os chamados tarja preta.
Nada contra o uso da medicação,
ressalta a doutora.
O que não pode acontecer é o uso
indiscriminado e a banalização da sua prescrição, havando casos que a família pede
ao médico a revalidação da receita sem trazer o paciente para ser examinado. Normalmente,
explica, o paciente necessita de uma ANAMNESE, espécie de entrevista realizada
pelo psiquiatra ou psicólogo para estabelecer uma avaliação do estado clínico
do indivíduo. Posteriormente gosta de solicitar exames complementares e estudos
de imagens, investigando o paciente como um todo. Dra. Janicéia faz parte da
nova geração de psiquiatras que acreditam no tratamento multidisciplinar dos
pacientes e vê a medicação como um dos fatores necessários para a recuperação
dos mesmos. Dra. Janicéia faz outra jornada de atendimento no CAPS-Centro de
Atenção Psicossocial - em Currais No- vos e Parelhas, com tratamento para
pessoas que sofrem de transtornos mentais, psicoses e neuroses graves e
persistentes.
O CAPS é mantido pelo Sistema
Único de Saúde-SUS.
Por ter iniciado sua vida
profissional em um PSF, em Silves, AM, Dra. Janicéia Simplício mantém uma
relação especial com a instituição e acha que a concepção imaginada pelo SUS
para o funcionamento do CAPS e do PSF é quase perfeita, mas, às vezes a gestão
deixa a desejar. É nessa hora, precisando vencer as dificuldades, diz a
experiente médica, que temos de mostrar conhecimento. Ele é que nos guia para
termos um diagnóstico preciso. Daí, a sua participação em congressos no Brasil
e até em outros países como o Congresso Internacional de Psiquiatria em Buenos
Aires (2011), e participação anual nos Congressos Brasileiros de Psiquiatria:
Rio de Janeiro (2011), Natal (2012) e de passagens compradas para o deste ano,
que acontecerá na cidade de Curitiba, em outubro próximo. Sempre em busca de
atualização, informações e conhecimento de novas técnicas, garantindo uma boa
reciclagem profissional.
Janicéia Simplício é uma mulher
forte. Sua determinação e autoconfiança lhe permitiram superar todas as
dificuldades que teve de enfrentar para ser médica. A filha de funcionários
públicos de Lajes Pintadas, João Simplício e Leodicéia, aprovada em três
vestibulares em João Pessoa, Campina Grande e Natal (Enfermagem, Farmácia e
Nutrição, que chegou a cursar por dois anos) foi conquistar a sua graduação em
Medicina, no Amazonas. Em Manaus, além de graduar-se, ela começou a namorar
Sueid Rusk Bezerra Lins, um curraisnovense, engenheiro mecânico que havia sido
contratado pela HONDA, posteriormente seu marido e pai do seu filho Arthur. Ao
terminar a faculdade, foi trabalhar no PSF de Silves/AM. De lá, em comum acordo
com o Sueid, veio para São José do Seridó/RN, também para trabalhar no PSF. Em
2011 retornou a sua terra Natal, Lajes Pintadas para trabalhar no PSF, de onde
saiu recentemente para se dedicar em tempo integral a Psiquiatria.
Iniciou sua carreira de
psiquiatra na cidade de Lagoa Nova, onde atendeu por 2 anos os pacientes do Ambulatório
daquela cidade. Nesse mesmo período trabalhou no CAPS de Santa Cruz.
Registre-se que o marido, Sueid Rusk, sempre sonhou em voltar para Currais Novos
onde também se posicionou profissionalmente com a S + Engenharia. Ambos fizeram
uma longa e árdua caminhada para obterem o sucesso profissional na região do
Seridó. Feliz de trabalhar atendendo os seridoenses, que sempre a acolheram
muito bem, Janicéia Simplício comemora e agradece todas as suas vitórias. (Gerson Luiz)




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