domingo, 3 de junho de 2012

Malícias de Tancredo

Abro a Coluna com historinhas de Tancredo Neves, o avô do senador Aécio, contadas pelo amigo Sebastião Nery. Tancredo dava uma entrevista e o jornalista anotava tudo. Quando acabou, Tancredo Neves leu. Estava escrito :
- Não pretendo ser governador de Minas.
Tancredo pediu licença, emendou com a própria caneta : "Não pretendo ser candidato a governador de Minas". E outra. Geraldo Rezende, editor político de O Diário, sábio e santo, conversava com Tancredo no final da campanha para o governo de Minas, em 1960, contra Magalhães Pinto :
- Tancredo, você precisa ter fé. Dê uma passada no Santuário de São Geraldo, em Curvelo, que São Geraldo não esquece seus devotos.
Tancredo foi lá. Perdeu as eleições para Magalhães. Telegrafou a Geraldo :
- Geraldo, São Geraldo esquece seus devotos.
Meses depois, Jânio renuncia, assume Jango. Tancredo é primeiro-ministro. Geraldo telegrafa a Tancredo :
- Tancredo. São Geraldo não esquece seus devotos.




Enviado  por: Dr. Carlos Leite
Advogado do Blog o Diário



Um comentário:

  1. Tancredo Neves era Promotor de Justiça em São João Del Rey. Um homem chamado Jesus matou uma mulher chamada Maria. Tancredo pediu 22 anos de cadeia para Jesus. O juri deu 18, Jesus foi para a cadeia.


    Nove anos depois, Tancredo advogado, foi a Andrelandia, pequena cidade próxima a São João del Rey. De barba por favor, entrou numa pequena barbearia, sentou-se, estava cansado, fechou os olhos. O barbeiro pegou a navalha, afiou, começou a fazer a barba ;


    - O senhor é o doutor Tancredo Neves?


    Tancredo abriu os olhos, reconheceu Jesus, o assassino de São João Del Rey. Espiou pelo canto do olho, a barbearia vazia, a rua vazia, não passava ninguem, não chegava ninguém, o suor minava frio pela testa molhada. E Jesus com a navalha enorme na mão pesada, deslizando garganta abaixo, desce e sobe, abrindo caminhos na espuma. Jesus não disse mais nada. Tancredo só teve voz para responder :


    - Sou, sim.


    - Pois é, doutor Tancredo, a vida.


    - Pois é, Jesus, a vida.


    - Pois é mesmo, doutor Tancredo. Cumpri 9 anos dos 18, estou aqui, o senhor está ai, o senhor com sua barba, eu com minha navalha. Eu só queria dizer uma coisa ao senhor: que grande orador que o senhor é.


    - Pois é, Jesus, toda atividade lícita é digna. Naquela ocasião, eu estava fazendo meu trabalho no Tribunal do Júri. E, agora, você está fazendo seu ofício aqui na barbearia.

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